OCUPAÇÃO EM COLÉGIOS ESTADUAIS DA BAIXADA REVELA PROBLEMAS GRAVES DE INFRAESTRUTURA.

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Livros novos amontoados e sem uso; vazamentos; laboratórios vazios. A ocupação em colégios estaduais na Baixada Fluminense revelou aos alunos o que já desconfiavam: a estrutura da educação pública vai mal na região. Segundo a Secretaria estadual de Educação, há cinco unidades ocupadas por estudantes. O ‘‘Mais Baixada’’ visitou duas: uma em Nova Iguaçu e outra em São João de Meriti.
 
2016-907346177-201605051731293925_20160505.jpgNo Ciep 114 (Maria Gavazio Martins), em Vilar dos Teles, desde o último dia 13 cerca de 30 alunos que se revezam na ocupação descobriram o estado da cozinha. Vários recipientes aparavam as inúmeras goteiras do teto. Um forte odor de esgoto infesta o local onde são preparadas as refeições. Ainda sem livros, uma aluna do 7º ano, de 13, diz que uma sala está cheia de livros guardados:
—Ano passado, eu tinha livros. Esse ano, não recebi nenhum. A gente tem medo de que a direção volte e pegue a escola de novo.
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O medo é o mesmo que alunos do Instituto Rangel Pestana, em Nova Iguaçu, sentem. Eles pedem a saída da atual direção para que liberem a unidade, ocupada desde o dia 18. Segundo eles, parte dos problemas da escola é causada pela má gestão.
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Entre as reivindicações, estão a climatização das salas, retorno dos eventos culturais, retomada da educação especial e mais qualidade nas refeições. Alunos descobriram um laboratório de Química sem uso e livros de literatura em braile e didáticos esquecidos em uma sala.
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Cerca de 200 alunos participaram da ocupação, mas, devido ao bloqueio no cartão de passagem, cerca de 50 se mantiveram no protesto. Nesta quinta-feira, em frente à unidade de Nova Iguaçu, alunos contrários à ocupação fizeram uma manifestação. — Tentam passar uma imagem marginalizada da ocupação — reclamou o aluno do 2º ano, Arthur Córdova, de 18 anos.
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2016-907348245-201605051740293944_20160505.jpgA ameaça de expulsão por parte da direção do colégio e a hostilidade de algumas pessoas contrárias à ocupação encontram uma barreira: o apoio da comunidade, de pais de alunos, de parte dos funcionários, de professores voluntários e do próprio Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe). Nas unidades visitadas pelo “Mais Baixada’’, alunos organizam aulões preparatórios para o Enem e para os vestibulares, oficinas culturais e esportivas e palestras.
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— Trazemos a cultura que a direção não deixava a gente trazer para a escola — ressaltou o aluno Arthur Córdova.
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O professor de Sociologia Renato Fialho esteve na unidade, nesta quinta-feira, para oferecer uma aula aos alunos. Ele disse que o movimento dos alunos é para que a unidade não seja depredada:
— Eles são solidários à nossa luta (dos professores em greve). Não posso dar as costas. A pauta deles, de alguma forma, converge com a nossa. Não dá para ser contra um movimento bonito como esse. Tomaram a iniciativa de se posicionar politicamente. No Rangel, os alunos chegaram a elaborar uma lista com materiais dos quais mais precisam, como alimentos e materiais de limpeza.
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Também foram ocupados os colégios Irineu Marinho, em Caxias, o Professora Regina Célia dos Reis Oliveira, em Meriti, e o Ciep 335 (Professor Joaquim de Freitas), em Queimados. Outras duas unidades em Meriti foram desocupadas. A Seeduc informou que os casos específicos de cada unidade serão analisados após a desocupação e que as aulas dos colégios ocupados ocorrerão em agosto deste ano e em janeiro de 2017, e aos sábados do segundo semestre deste ano.
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Fonte: Extra

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