NA FAVELA, O DECRETO DE CALAMIDADE PÚBLICA SEMPRE ESTEVE ASSINADO.

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Na ultima sexta-feira (17/06) vimos um bombardeio de notícias contra o decreto assinado pelo então Governador Interino do Estado do Rio de Janeiro. Dornelles declarou calamidade pública no estado do Rio por alegar que não tem recursos para o financiamento das olimpíadas.
Sabemos que na prática, isso dá a ele o direito de cortar “serviços públicos essenciais” para a realização dos jogos olímpicos. Porém esse direito de ‘cortar’, sempre esteve presente na prática política quando o assunto é favelas do Rio de Janeiro.
A medida é absurda, todos sabemos. Coloca em risco todo o interesse da população do Estado, em benefício de uma minoria que vai lucrar com os Jogos Olímpicos. A prestação de serviços públicos essenciais, vão sendo empurrados para debaixo do tapete para ninguém ver. Empurram o saneamento básico, que a maioria das favelas cariocas e fluminense não tem, compromete o abastecimento de luz e agua, precários em toda a baixada fluminense. Coloca em risco o projeto educacional de ampliação das escolas públicas e melhoria nos salários dos profissionais de educação.
A saúde pública é um caos. Quantas favelas têm no Estado e quantos hospitais têm dentro delas? Falta médico, falta remédio, faltam vagas nos leitos, faltam hospitais, só não faltam desculpas, isso tem de sobra. Além disso, não garante investimento em segurança pública, e nos deixa a mercê das guerras organizadas pelas facções criminosas que disputam os territórios marginalizados.
O Governo do Estado vai continuar assumindo contratos sem licitação e vai contrair empréstimos que comprometerão as finanças públicas. Vão cortar da população para aplicar nas olimpíadas, evento esse que o pobre favelado vai ver apenas pela televisão.
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Texto: Walmyr Júnior – morador de Marcílio Dias, no conjunto de favelas da Maré, é professor, membro do MNU e do Coletivo Enegrecer. Atua como Conselheiro Nacional de Juventude (Conjuve). Integra a Pastoral Universitária da PUC-Rio. Representou a sociedade civil no encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ.