FLEXIBILIZAÇÃO NO RIO: O QUE DIZEM ESPECIALISTAS SOBRE A ESTRATÉGIA DA PREFEITURA NO COMBATE À COVID-19.

Foto: Andre Coelho/Getty Images

Especialistas estão receosos com o plano anunciado nesta quinta-feira (29) pela Prefeitura do Rio para flexibilizar as medidas restritivas contra a disseminação da Covid.

Para o infectologista Roberto Medronho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a estratégia apresentada pelo município é “no mínimo, uma temeridade”.

“Nós temos agora a variante delta no nosso país, e se espalhando inclusive no Rio de Janeiro. Nós temos uma boa cobertura vacinal no município, mas não temos certeza de que a efetividade da vacina seja a mesma do que as das cepas do vírus“, opinou Medronho.

O infectologista alertou que é possível que a capital fluminense passe a enfrentar problemas decorrentes do aumento da transmissibilidade da doença. Na avaliação dele, inclusive, os quatro dias de festas propostos pelo prefeito Eduardo Paes podem trazer grandes aglomerações.

Além disso, liberar estádios para [ocupação de] 100% a partir de outubro… Isso é realmente muito complicado. Eu, pessoalmente, sou contra o plano apresentado. Esse plano sequer foi discutido e aprovado no comitê científico criado pela prefeitura, de altíssimo nível“, afirmou o especialista.

Mais cedo, durante entrevista coletiva, Paes disse que não tomou nenhuma atitude que não fosse guiada pelo secretário de Saúde, Daniel Soranz, ou pelo comitê científico.

E em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou “o plano foi elaborado pelos técnicos do Centro de Operações Especiais para Enfrentamento da Covid-19 (COE-COVID-19), com apoio de alguns membros do Comitê Especial de Enfrentamento da Covid-19 (CEEC)”.

A pasta acrescentou que “nem todos os membros do CEEC foram consultados”.

Risco de voltar atrás

O infectologista lembrou, ainda, que em países onde houve a liberação de várias atividades, como em locais dos Estados Unidos, foi preciso voltar atrás nas medidas de flexibilização.

É o que também aponta a pneumologista Margareth Dalcomo, da Fiocruz, sobre a necessidade do uso de máscaras. Segundo ela, o uso do item é fundamental sobretudo em ambientes fechados, e não só em estabelecimentos de saúde – como hospitais, UPAs etc.

“Olha o que aconteceu com países que liberaram… Já voltaram atrás por força da transmissão de cepas muito contagiantes, como nós sabemos. (…) Eu não liberaria de modo algum o uso de máscara em qualquer ambiente, a não ser em ambiente ao ar livre”, alertou Dalcomo.

Problemas no transporte

Para a pneumologista Margareth Dalcomo, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), o Rio e a Região Metropolitana do estado vivem “um grave problema” que envolve o transporte coletivo.

“Temos visto todos absolutamente superlotados de maneira inadequada num momento ainda de muita transmissão, de transmissão de uma cepa nova”, afirmou.

Assim como Medronho, a especialista lembrou que a variante delta da Covid já está circulando. E que, embora tenha melhorado o ritmo de vacinação, o processo ainda está longe de uma situação de cobertura vacinal mínima, que ela afirma ser de 80% da população.

“Seria aquele [percentual] que eu, particularmente, consideraria confortável para que procedêssemos a algumas aberturas”, opinou Dalcomo.

A especialista acrescentou ser necessário, ainda, pensar se é preciso aplicar a terceira dose para determinadas faixas etárias. Ainda assim, ela disse se referir a “conforto sanitário”, condições mínimas para que haja “algum grau de segurança”.

“Segurança mesmo, pra valer, nós não teremos, né? Nós sabemos que o vírus permanecerá endêmico”, explicou Dalcomo.

Cuidados necessários

Dalcomo enfatizou, ainda, a necessidade de se manter cuidados mínimos para evitar a disseminação do vírus, como evitar aglomerações e higienização. “Cuidados pessoais e coletivos ainda por todo o ano de 2021, seguramente”, disse.

Em complemento aos alertas, Dalcomo disse acreditar que a intenção da prefeitura “é a melhor possível no sentido de trazer um pouco de alegria” aos cariocas. A especialista disse que não é contra o município organizar atividades ao ar livre.

“Alerto que isso tudo tem um risco. Um risco que é razoavelmente calculado e um risco que é fora de controle, sem dúvida nenhuma”, ponderou.

Fonte: G1 – Por: André Trigueiro

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